Caixa terá R$ 25 bi para imóveis em 2009, mas deve usar só 80% 11/12/2008



Apesar de contar com um orçamento de R$ 25 bilhões previsto para destinar ao crédito imobiliário, a Caixa Econômica Federal crê que a demanda do próximo ano deve estar aquém do previsto, e consumir apenas 80% disso, um montante de cerca de R$ 20 bilhões. A expectativa da entidade é terminar 2008 com uma carteira de financiamento imobiliário na ordem de R$ 22,8 bilhões.

Segundo o gerente nacional da Gestão da Carteira Habitacional da entidade, Fernando Silveira, "o mercado já dá sinais de preocupação, mas vamos alocar no mínimo R$ 20 bilhões nessa linha no próximo ano. Vamos atender a todas as demandas, porém creio que haverá uma desaceleração do mercado", avalia o gerente, que completa dizendo que a demanda existe, porém obras podem ser adiadas e não concluídas no próximo ano.

Em relação à inadimplência, Silveira garantiu que continua estável. "Isso graças ao sistema de acompanhamento constante que fazemos. Não esperamos deterioração desse índice no próximo ano", garante. Em relação aos juros, o banco estatal também não projeta um aumento das taxas atuais. "Os juros para parte de nossas linhas estão estáveis em 5% ao ano, sem indício de aumento. Pelo contrário, para a população com a faixa de renda até R$ 1,8 mil mensais, conseguimos uma diminuição", diz o executivo.

Além disso, o banco não pensa em reduzir os prazos de suas linhas para compra de habitações, que hoje chega a até 30 anos. "Apesar de ser uma linha bastante longa, o prazo médio de pagamento está em 109 meses. Um eventual aumento dessa média depende de opções pessoais, não temos previsões em relação a isso ainda", diz.

O problema que o banco vê para o próximo ano é em relação à confiança. Para isso, dentro do orçamento previsto, estão calculados R$ 3 bilhões para aumentar o limite de exposição da instituição. "Se mantivéssemos o patamar anterior, não conseguiríamos atender a toda demanda das construtoras por capital de giro." Além disso, dentro desse orçamento estão previstos também recursos adicionais para obras em andamento. "Para não haver problemas de o cliente desconfiar que a obra não vai ser terminada e se tornar inadimplente." Dessa forma, diz Silveira, a construtora pode manter o ritmo da obra, mesmo se houver algum caso de inadimplência dos clientes.

Outro problema de confiança foi enfrentado em relação a investidores, explica Silveira. Segundo ele, graças ao grande número de Ofertas Iniciais de Ações (IPO, da sigla em inglês) ocorridas no ano passado, muitos investidores ainda têm dúvida se haverá funding para cobrir o crédito imobiliário e medo da pressão da Selic sobre esses fundos. "Temos fundos de capital cativos, que é o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), e a poupança, não há correlação entre a Selic e esse capital", tranqüiliza ele.

Publicado por:     DCI em: 11/12/2008


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